Arquivo para museu

O MUSEU, ONZE MESES DEPOIS

Posted in Uncategorized with tags , , on outubro 29, 2010 by AUFLA

Dona Patrícia Amorim anunciou ontem, como se de grande feito se tratasse, que as obras do Museu do Flamengo começarão em 16 de novembro próximo. Para o leitor desatento, é mesmo grande notícia, que ninguém em sã consciência pode ser contra o clube finalmente expor à torcida o pedacinho mais tangível daquilo que nos faz acima de tudo rubro-negros.

Mas o torcedor e o sócio mais atentos hão de recordar que dona Patrícia Amorim recebeu, da diretoria anterior, um contrato juridicamente perfeito, pelo qual a Olympikus se obrigava a entregar o museu, pronto, em 15 de novembro de 2010. De modo que, no nosso 115º aniversário, em vez de celebrarmos a abertura definitiva do museu, vamos comemorar apenas e tão-somente o início das obras, previstas para durar outros nove meses.

Bem a cara de dona Patrícia Amorim, que afinal de contas nada mais é que uma politiqueira vulgar, querer capitalizar em cima de obra inacabada.

Deixando de lado, no entanto, juízos de valor sobre o oportunismo político de dona Patrícia, resta a dúvida sobre o motivo desse atraso de impressionantes onze meses na execução da obra.

Ocorre que, no que dependesse da atual diretoria, o dinheiro para a obra seria administrado exatamente como essa malta pretende gerir os recursos dos tijolinhos: ao bel-prazer dos dirigentes rubro-negros, que poderiam aplicá-los ou não na construção do museu.

Foi exatamente por saber como é o Flamengo que a Vulcabrás, dona da Olympikus e financiadora da obra, fez questão de consagrar no contrato que quem administraria o dinheiro seria ela própria. Nada de simplesmente depositar a grana numa conta corrente e rezar para que aos nossos ilibados dirigentes não ocorresse aplicá-la em finalidades outras que não o museu. (É, em essência, o que o ZICO chamou de “verba carimbada”, ao impor suas condições para ajudar no projeto dos tijolinhos.)

Dona Patrícia e os personagens que a cercam discordaram dessa cláusula razoabilíssima do contrato. Queriam manejar o dinheiro eles mesmos, e sabe lá Deus o motivo de tanta insistência. Mais: mandaram avisar que queriam escolher eles próprios as empresas de engenharia beneficiadas com o butim de R$ 8 milhões (tomem nota do nome Carlos Peixoto, que haveremos de voltar a ele oportunamente).

A Vulcabrás, que não rasga dinheiro, não achou a menor graça nessa conversa e insistiu no óbvio: que se cumprisse o contrato. Dona Patrícia discordou e bateu pé, e nesse impasse ficamos até que a diretoria desistisse de sua estranha pretensão e acedesse, finalmente, ao cumprimento do contrato.

E assim se explica que apenas onze meses depois do previsto tenham início as obras que deviam estar terminando. O atraso é testemunho não só da esculhambação que é o Flamengo de Patrícia Amorim. É também ilustração fiel da baixíssima conta em que o mercado tem, hoje, os dirigentes do Flamengo.

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