LAÇOS DE FAMIGLIA

O rubro-negro que, nos últimos dias, teve estômago para ler o noticiário flamengo deparou-se com mais uma comprovação da sem-cerimônia com que delinqüentes conhecidos pretendem mandar e desmandar no clube: a agressão do desqualificado Peruano a outro conselheiro do clube. Isso poucos dias depois de o inefável “capitão” Léo tornar a expor a carantonha e — sem que ocorresse a nenhum cartola graduado desautorizá-lo — voltar a bostejar sandices contra o ZICO.

A quem continuar surpreendendo-se com a influência dessa canalha no Flamengo de hoje, uma pequena historinha: Peruano e outros tantos “chefes de torcida” (entre eles o indefectível “capitão” Léo) foram presenteados com títulos de sócio-proprietário pelo sr. Edmundo dos Santos Silva, e como tais tornaram-se aptos a integrar o Conselho Deliberativo. Aquela gestão, todos se lembram, terminou com a destituição do Presidente, que contava entre seus aliados com o tricolor e hoje primeiro-damo Fernando Sihman (Vice-Presidente de Esportes Olímpicos) e com a hoje presidenta Patrícia Amorim (diretora remunerada de esportes olímpicos).

Retribuindo o favor, o “capitão” Léo, que hoje posa de homem probo, foi instrumental na aprovação das contas da gestão criminosa de Edmundo. No mesmo episódio, outro membro da quadrilha, um tal Onça, achou-se no direito de agredir fisicamente a nossa Isabel, do vôlei, que exercia seu direito estatutário de questionar um Conselho Fiscal que sancionava a roubalheira. Agradecido, Edmundo dos Santos Silva arrumou para o “capitão” Léo um carguinho remunerado na Federação de Futebol do Rio de Janeiro, então sob a presidência do ilibado sr. Eduardo Vianna, o “Caixa d’Água”.

Com o tempo, nem a truculência de Leonardos, Onças e Peruanos foi capaz de abafar a indignação de sócios e torcedores, e Edmundo dos Santos Silva terminou destituído e algemado. E, como convinha a todos os que estiveram associados a Edmundo, uma vez destituído o presidente, passou-se uma borracha no passado e todo o mundo pôde posar de santo. Até mesmo o “capitão” Léo, que continuou abrilhantando, com seu notório saber e reputação ilibada, o “egrégio” Conselho Fiscal.

De modo que vai longe, no tempo, a associação quase de famiglia entre Patrícia Amorim e os “chefes de torcida” que hoje mandam e desmandam no clube. O mesmo “capitão” Léo, durante um bom tempo, oficiou de aspone e assessor parlamentar de Patrícia Amorim, na Câmara de Vereadores do Rio, por onde ela passou sem a consideração de deixar-nos uma única idéia original ou um único projeto meritório.

Essa afinidade de quem nasceu, para a política rubro-negra, com Edmundo dos Santos Silva tornou-se aliança com a eleição de Patrícia Amorim, em 2009. Solidamente instalados em seus espaços de poder, os “chefes de torcida” tornaram-se garantes da governabilidade do Flamengo. (A quem duvida, sugerimos investigar há quanto tempo não acontecem aquelas conversas cordiais entre torcidas organizadas e jogadores, a despeito do papel pífio desempenhado pelo Flamengo nos Brasileiros de 2010 e 2011.) Em retribuição, ganharam benesses infinitas (ingressos, camisas, o escambau) para seu enriquecimento pessoal, e dormem tranqüilos com a certeza do apoio incondicional de Patrícia Amorim, a cada vez que são questionados. Como se deu, aliás, no episódio da fritura do ZICO.

Esse o pano de fundo que explica as cenas de banditismo que mancharam ainda mais a reputação do Flamengo por esses dias. É por contar com a bênção da presidenta que Capitães e Peruanos agem como agem, e circulam onipotentes pelos corredores do clube, a distribuir porradas em qualquer associado ou torcedor que ouse questionar a insanidade de dar tamanho poder a gente com prontuário tão vasto.

Diante de tamanho descalabro, a srª. Patrícia Amorim finalmente deu as caras para desconversar sobre os questionamentos legítimos às alianças espúrias que a sustentam. Curiosamente, diante das críticas a dirigentes que, com ela, dirigem o Flamengo de hoje, a escorregadia Patrícia tirou o corpo fora como costuma fazer tão bem — “o Wrobel nem era da minha chapa; o Michel Levy não é ligado a ninguém; Hélio Ferraz foi o presidente depois do Edmundo; o Henrique Brandão é muito mais ligado ao Veloso; o Capitão Léo foi eleito para o Conselho Fiscal durante o mandato do Márcio Braga” —, e não se permitiu uma única palavra de defesa ou de censura a seus aliados.

Se a srª. Patrícia Amorim acha, então, perfeitamente normal que essas pessoas ocupem os postos que ocupem, e se quer fazer-nos crer que estão onde estão por algum fenômeno da natureza, e não por alianças que ela própria costurou, ousamos lançar um par de perguntas à presidenta do clube: Se o “capitão” Léo não é seu aliado, por que motivo foi assessor da vereadora Patrícia Amorim na Câmara de Vereadores? Se Peruano e Leonardo Ribeiro não são ligados a ela (“ligado em que sentido”, pergunta, fingindo indignação), é ou não é verdade que, junto com ela e o sr. Fernando Sihman, entraram para a política rubro-negra pelas mãos de Edmundo dos Santos Silva?

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2 Respostas to “LAÇOS DE FAMIGLIA”

  1. Consciência Rubro-Negra Says:

    Essa corja ainda terá o que merece!

  2. Sergio Bricio Says:

    Adorei! Vcs são muito bem informados sobre esses caras. O que pretendem fazer para combate-los?
    Abs
    Sergio

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